segunda-feira, 30 de maio de 2011
Hildeberto Barbosa Filho
quarta-feira, 6 de abril de 2011
Raimundo Gadelha
Quanto sentimento não reside nessa dúvida:
A verdade é que ela se tornou sentinela do meu espaço
Ah, geladeira ou refrigerador!…
Ah, geladeira… não pelo frio que produzes,
Abre-se a porta, acende-se a luz
Visualizando teu interior chego a pensar
Sabe, geladeira?
Raimundo Gadelha
terça-feira, 24 de agosto de 2010
Joedson Adriano

(Estrofes 25 a 27)
a poesia não é apenas uma arte aplicada
é o instinto mais íntimo e o imperativo às artes
e o tao que legitima as línguas e linguagens
a criar em palavras o que só pode em palavra
é magia com as palas das palavras a poesia
que mais acerta dardos se com denodo desmente
que em crenças não crê porque quer entender
é cálculo psicótico do que sem peso se pensa
que se descuida menos a mira milimétrica
quando em sanha não sente a súplica da vítima
a poesia é piração e pretenciosa cura
cerebral acupuntura pro artista ateu
que não sai de sua sede e de seu ser não foge
porque pra não morrer de marasmo e maresia
neles vive em vida do volume dos mortos
a mais venal-venturosa e voraz das aventuras
que maleável plenamente em potência só perdura
por alígeros-ardentes e árdegos segundos
vinda dum avoengo e astrológico aéon
que das nebulosas vaza do vulcânico vórtice
o magma do passado em púberes paradigmas
que só mais um modela das miríades de mundos
e numa fôrma esfria a emoção encefálica
que milênios esquenta num estro de esquadria
minha testante a trotes e a tretas protestante
legal irreligião de idiossincrasia intensa
é a ímpia-impatriótica e impartidária poesia
que é madre da arte e afilhada de afrodite
que sem as dores e doenças de doméstica santa
são as despidas déias da destoante elegia
dos meus honden de opiniões e órgão de orgias
minha pagã poesia a pólen helenizada
é atuante e prática sem patrocínio político
de usurpar sem usura os usos e os desusos
os três em um poderes e o pátrio poder
da epilética eclésia de esclerose múltipla
mas atuante após não haver sido eleita
e prática prontamente se poetizada em teoria
é trágica no transe da tresloucada euforia
de eu querer ser o ser que dos seres não sou
sem poder prantear na pensante disforia
após os quinze segundos duma senha pro céu
eis o lume do vislumbre dum versículo de versos
e o genitivo objetivo de objetar oração
que com seu salto sêxtuplo em sudas se alcança
o avultante vulto do vitalizante vate
que no cérebro cálido a cristalizar cristos
esfria o efêmero e o eterno do coração
em feitiçarias druidas eu devaneio e digito
controversa de propósito e paradoxal poesia
sem conversa fiada à fé falsificada
porque somente sei que eu não sei do nada
e sem práxis pactual de planos concretismos
com versos variados de veias diversificadas
eu me verso versus à viciada poesinha
em afirmação ambígua e alheia a mim mesmo
que acesa só cessa em cemitério cético
por priápica prova e paralisante teste
que é propósito próprio e propriedade minha
e impróprio impropério pras ideologias dos outros
que segue em sua senda de circular por tudo
prum estrangeiro fardo não lhe fixar um fim
e cá sem acolá de alcoólicos anônimos
que a meu self satisfaça de sentido e descanso
nestas nevadas páginas de paixão primaveral
eu harmonizo e monto meu melódico missal
em orgásticos risos sem reza e sem rito
com assonante ardor no altar holocáustico
e destes meus ditirambos não definhará um
porque sem cobrar dízimos os dedico ao deus-dará
que esquecido de lilith por lombra nem se lembra
que é a nossa alma de amiúde se amostrar
Joedson Adriano
Bayeux – PB (1983)
terça-feira, 23 de março de 2010
Bruno Gaudêncio
Fobias
A Tomires Nascimento
Sinto flores nas bocas
Sinto dores nas roupas
Sinto cores nas calmas
Sinto câimbras nas almas.
Sinto espelhos nas folhas
Sinto dedos nas telhas
Sinto lobos nas trovas
Sinto rezas nas covas.
Sinto mortes nos ventres
Sinto sombras nas lágrimas
Sinto estrelas nas mentes
Sinto estranhos nas casas.
Sinto feras nas jantas
Sinto cantos nas fugas
Sinto chuvas nas mantas
Sinto sopros nas nucas...
Bruno Gaudêncio
Campina Grande - PB (1985)
sábado, 13 de fevereiro de 2010
Valberto Cardoso
A invenção do dia
Desconheço aquela paisagem
Que cobria os meus olhos, os meus pés, os meus dedos,
Sirenes do dia
Desconheço o brejo e suas fábricas
As crianças que brincavam comigo,
Que atravessavam a história do beijo
Não desejei perseguir as ruas por onde construí estes descaminhos
Onde ficou o nosso hóspede no momento em que o porão se desfazia
Emparedado à sombra da renúncia?
Assim foi a casa, a cozinha, o quintal
E a fração do almoço,
Como proclamar o diário da boca
E assim a obrigação de dobrar lençóis...
O sol - maior que os quartos - e a terra nos vestiam de intervalos
Entre os inventários, a ruína
O rito das traças, a melodia devorada
Fora da sala o incompleto palácio
E a oração da tarde
A percorrer a ingênua cidade
O anúncio da hora prévia
E exata da verdade
Valberto Cardoso
Areia - PB (1971)
